quarta-feira, 15 de junho de 2011

Lampião (Virgulino Ferreira da Silva)

Pessoal. Desde que comecei a nomorar minha esposa, ouço falar muito em Lampião, o rei do cangaço. Meu finado sogro, que é pernambucano, sempre falou com grande admiração sobre ele. Pra mim ele fazia parte de um bando de indivíduos inescrupulosos que queriam fazer suas próprias leis.

Agora vejo que, o que eles queriam era acabar com as injustiças daquela época nem que para isso utilizassem a violência, visto que, no Brasil há justiça somente para o pobre, e os grandes bandidos, cada vez mais ricos, regem o país há alguns séculos.

Segue abaixo um pequeno texto sobre Lampião, o justiceiro injustiçado:



Virgulino Ferreira da Silva

07/07/1897, Vila Bela, atual Serra Talhada (PE)
28/07/1938, Fazenda de Angicos, município de Poço Redondo (SE)

O terceiro filho do pequeno fazendeiro José Ferreira da Silva e de sua mulher Maria Lopes recebeu o nome de Virgulino Ferreira da Silva e iria inscrevê-lo a ferro e fogo na história do Nordeste e do Brasil. Antes disso, porém, teve uma infância e uma adolescência comum a todos os meninos de uma baixa classe média sertaneja: aprendeu a ler e a escrever, mas logo foi ajudar o pai, pastoreando seu gado.

Freqüentava as feiras das cidades próximas às terras da família, onde ouvia os violeiros e os poetas de cordel narrarem as aventuras dos cangaceiros, que povoavam o imaginário popular nordestino, sendo simultaneamente heróis e bandidos. Aliás, para as crianças da região brincar de cangaceiro e polícia era uma variante local do atual "mocinho e bandido".

As rixas entre famílias eram freqüentes no sertão, em especial quando envolviam questões acerca dos limites das propriedades e uma dessas rixas envolveu a família de José Ferreira da Silva com seu vizinho José Saturnino. Além de alguns tiroteios, o conflito terminou com a decisão de um coronel local em favor de Saturnino.

Revoltado, Virgulino e dois irmãos teriam se juntado ao bando do cangaceiro Sinhô Pereira, em busca de vingança. Corria o ano de 1920 e - devido a sua capacidade de disparar consecutivamente, iluminando a noite - Virgulino ganhou o apelido de Lampião. Possivelmente em função disso, a polícia cercou o sítio da família e matou seu pai a tiros. Resultado: Lampião e os dois irmãos entraram definitivamente para o cangaço.




Em 1922, Sinhô Pereira deixou o cangaço. Lampião assumiu a liderança do bando que praticou ações de banditismo nos quatro anos seguintes, atuando nos estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Em 1926, refugiou-se no Ceará e recebeu uma intimação do padre Cícero. Compareceu a sua presença, recebeu um sermão por seus crimes e ainda a proposta de combater a Coluna Prestes que, naquela época, se encontrava pelo Nordeste.

Em troca, Lampião receberia anistia e a patente de capitão dos Batalhões Patrióticos, como se chamavam as tropas recrutadas para combater os revolucionários. O capitão Virgulino e seu bando partiram à caça de Prestes, mas ao chegar a Pernambuco, foi perseguido pela polícia e descobriu que nem a anistia nem a patente tinham valor oficial. Voltou, então, ao banditismo.

Em 1927, encorajado pela própria fama, tentou invadir uma cidade maior do que as habituais: Mossoró, no Rio Grande do Norte. A população, porém, se uniu e rechaçou os cangaceiros. No ano seguinte, Lampião incluiu a Bahia nos locais onde praticava seus crimes.

Em fins de 1930 ou começo de 1931, escondido na fazenda de um coiteiro - nome dado a quem acolhia os cangaceiros - conheceu Maria Déia Nenén, a mulher de um sapateiro, que se apaixonou por ele e com ele fugiu, ingressando no bando. A mulher de Lampião ficou conhecida como Maria Bonita e, a partir daí, várias outras mulheres se integraram ao bando.

Um pouco pela ambigüidade da vida dos cangaceiros - que às vezes atuavam como justiceiros, auxiliando os pobres, um pouco por contarem com o auxílio de coronéis a quem prestavam serviços, um pouco pela incompetência das autoridades locais, bem como pelo descaso do Governo federal, a vida de crimes do bando de Lampião prosseguiu por mais seis anos.

Afinal, o bando foi cercado na fazenda de Angicos, no atual município de Poço Redondo, em Sergipe, onde estavam acampados. Foram pegos de surpresa e muitos não conseguiram escapar. Entre eles Lampião e Maria Bonita. Os cangaceiros foram decapitados e suas cabeças ficaram expostas no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, até 1968.


Fonte: "Lampião", Billy Jaynes Chandler, Paz e Terra, 2003

15 comentários:

  1. Boa matéria............Lampião teve uma atitude admirável.

    By Faby

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  2. Olá Faby. Tudo bem? Obrigado por comentar e elogiar a matéria. Volte sempre que será muito bem-vinda.

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  3. prá mim sempre será um bandido salafrário igual todos que vivem por ai barbarizando a vida do pobre trabalhador...

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  4. Muito Bom ... um Herói da Nossa História!!!

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  5. Muito bem esplicado essa matéria do Lampião, esse ai e u cara!!!
    By Paulo Sérgio

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  6. Fui recentemente a Serra Talhada e falei com um morador da cidade e ele falou que Lampião foi um herói e não um bandido, parabéns.

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  7. nao vou criticar essa história q acabo de ler.... mas como vou falar mal do cangaço se hj é mt pior q nao é nem de cartucheira ,,mas de armamento pesado,,,,,,,,,,,dizem q nosso BRASIL é de paz como??? se tem tantos crimes tanta desigualdade de modo geral.....de dentro de casa ao nossos governos ,,, meus irmaos estamos na mao de Deus só ele para nos salvar...........

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  8. amigos antes de depois de ler esta farsa ai em cima procurem o livro LAMPIAO CORPO FECHADO ,de ivonaldo guedes. tudo isso que vc6 acabaram de ler é uma farsa

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  9. O bando tinha que existir nos dias de hoje e atacar Brasilia, covil dos maiores bandidos do século atual.

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  10. É por ai...
    - "O Peter pan do Brasil."-

    Um verdadeiro herói sim,pra quem não sabe, sempre ajudava os desfavorecidos e/ou prejudicados pelas praticas abusivas do governo(aquelas mesmas de sempre.-aproveitando a deixa).seria praticamente impossível reproduzir esta história com perfeição,ainda mais hoje em dia que já inventaram muita coisa sobre ele,sendo assim considero esta uma boa versão sim quanto à veracidade dos fatos,passando uma boa visão geral do assunto.

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  11. ótima história meu pai e minha mãe são d pernambuco eles tambem contão do mesmo jeito gostei junior ourinhos-sp

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  12. sou prima dele...acho que de quarto ou terceiro grau...rsrs...admiro sua historia..

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  13. Caro Wagner Nascimento:

    Sou Delegado de Polícia no Estado de Sergipe e também pesquisador e estudioso do cangaço. Na qualidade de Conselheiro do movimento CARIRI CANGAÇO, maior evento sobre o tema do mundo e que reúne anualmente as maiores autoridades nacionais e internacionais sobre o assunto (cinco dias de palestras, seminários, discussões e demais pontos pertinentes ao cangaço), realizado na região do Cariri cearense, foi que resolvi em nome da VERDADEIRA HISTÓRIA ENTÃO VILIPENDIADA com o livro “Lampião, o Mata Sete”, de autoria do conterrâneo sergipano, Juiz aposentado, Pedro de Morais (livro esse ainda proibido, pois fala levianamente e sem provas ou evidencias algumas que Lampião era um homossexual e Maria Bonita uma mulher mundana e adúltera) escrever a sua contestação: LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE.

    Assim, quem desejar adquiri o meu livro basta entrar em contato comigo através do endereço de e-mail: archimedes-marques@bol.com.br

    Para maiores detalhes, críticas e comentários sobre o meu livro LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE sugiro acessar o blog www.cangacoememfoco.jex.com.br

    Atensiosamente,

    Archimedes Marques

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